O que a Inteligência Artificial Já Está Eliminando — E o futuro do Entretenimento ao vivo

Uma mensagem para quem cria experiências ao vivo: o seu trabalho importa — e o futuro precisa de você

Outro dia, minha filha de 7 anos me disse, com toda a certeza do mundo:
“Pai, quando eu crescer, quero ser professora de surf.”

Sorri, feliz pela escolha. E também aliviado. Porque, no meio de tantas profissões ameaçadas pela inteligência artificial, ela escolheu algo que depende de corpo, mar, intuição — algo que só se vive de verdade. E que, por isso, provavelmente nunca será substituído por uma máquina.

Mais tarde, conversando com outros pais — médicos, engenheiros, advogados — percebi que todos carregavam a mesma dúvida:
“Será que a IA vai acabar com o que eu faço?”

Essa pergunta, que já foi exagero de ficção científica, agora é conversa de corredor, reunião, grupo de WhatsApp. E ela também está atravessando o setor de eventos, cultura, turismo e entretenimento — que já vem sofrendo há anos com crises econômicas, pandemia e instabilidade.

Mas esse setor não é “menos importante”.
Na verdade, ele pode ser uma das peças mais valiosas do que vem por aí.


A IA já eliminou (ou está eliminando) funções baseadas em repetição — e muito mais rápido do que parece

Vamos falar a real: a inteligência artificial não está só substituindo tarefas repetitivas. Ela está democratizando o acesso a ferramentas que antes exigiam anos de estudo técnico. E isso muda tudo.

Hoje, qualquer pessoa com curiosidade e uma conexão com a internet consegue criar uma logo, um site, um chatbot funcional, mesmo sem saber nada de design ou programação. Basta abrir o ChatGPT, descrever o que quer, e ele entrega uma estrutura pronta — muitas vezes já com código, imagens, cores e até instruções de como publicar.

Softwares de IA também já criam fotos realistas, ilustrações em qualquer estilo, apresentações comerciais, textos institucionais e até projetos arquitetônicos básicos, apenas com alguns comandos em linguagem natural.

Chatbots substituíram atendentes básicos.
O Canva AI eliminou a necessidade de designers para materiais simples.
O ChatGPT gera conteúdo genérico em segundos.
Ferramentas de voz, vídeo e imagem fazem o que antes demandava equipes inteiras.

Essas tarefas estão sendo eliminadas não por maldade da tecnologia, mas porque se tornaram rápidas, baratas e escaláveis.
E isso obriga todo profissional a se perguntar:
O que eu entrego que a IA não consegue entregar?


Profissões mais complexas também estão mudando — e rápido

Mesmo funções técnicas e especializadas estão passando por uma grande transformação. A IA já escreve código, gera petições jurídicas, analisa exames médicos, produz relatórios contábeis, estrutura apresentações e sugere diagnósticos com altíssima precisão.

  • Advogados que antes faziam petições simples estão sendo substituídos por plataformas automatizadas.
  • Desenvolvedores agora veem parte do seu trabalho feito por assistentes de código.
  • Médicos usam sistemas que identificam padrões em imagens com mais eficiência que um olhar humano.
  • Contadores usam IA para conciliar dados em minutos.

Essas profissões não estão desaparecendo.
Mas o que faz alguém ser relevante dentro delas está mudando.

O que era técnico está virando operacional.
E o que vai valer cada vez mais é o que requer julgamento, sensibilidade, contexto e experiência real.


O que a IA ainda não substitui — e não vai, tão cedo

Aqui está o ponto central de tudo isso:
Quanto mais digital for o nosso cotidiano, provavelmente, mais sedentos estaremos pelo real.
E por isso, o mercado de experiências presenciais tende a crescer.

Essa não é apenas uma suposição minha.
A história recente da humanidade já provou isso — com força.

Durante a pandemia, quando o mundo foi forçado ao isolamento, vimos tentativas de eventos online: lives, palestras, shows, festas virtuais, casamentos no Zoom. Era o que dava pra fazer. E, no começo, até funcionou. Mas não durou. Ficou chato rápido.

Assim que as restrições começaram a cair, o que aconteceu?
O maior crescimento do setor de eventos ao vivo da história moderna.
Festivais venderam tudo em tempo recorde. Restaurantes ficaram lotados.
As pessoas viajaram, se reencontraram, celebraram.

O que parecia “velho” de repente se tornou urgente, necessário e insubstituível.

A pandemia foi uma demonstração prática de que a tela não basta.

Mesmo com acesso a redes sociais, games, streaming, podcasts e todo tipo de entretenimento digital — as pessoas ainda querem sair, se emocionar ao vivo, olhar no olho, rir junto, abraçar.

E isso não é de hoje.

A história mostra que em todo momento de avanço tecnológico ou crise, o ser humano busca o contato real como forma de equilibrar a experiência.

  • Nos anos pós-Segunda Guerra Mundial, o mundo viu uma explosão de festas, celebrações, shows, festivais e movimentos culturais.
  • Com o avanço da televisão e do rádio nos anos 50 e 60, surgiram os grandes festivais de música ao ar livre.
  • Na era da internet, vimos o crescimento dos “retiros offline”, dos eventos imersivos, das experiências gastronômicas e sensoriais.

É um padrão: quanto mais o mundo acelera, mais a gente precisa parar, encontrar e viver algo real.


A IA pode criar simulações — mas não presença

Ela pode escrever um roteiro de espetáculo.
Mas não sobe no palco, não sente a energia da plateia, não improvisa diante do inesperado.

Ela pode sugerir pratos.
Mas não cria aquele momento em que todo mundo silencia na primeira garfada.

O real tem cheiro, temperatura, emoção. Tem alma.
E isso, nenhuma tecnologia consegue replicar.


O seu trabalho é mais importante do que nunca — mas você precisa usar a IA a seu favor

Se você trabalha com eventos, turismo, gastronomia, arte ou qualquer tipo de experiência ao vivo, talvez esteja passando por um momento duro:
Menos orçamento, mais competição, clientes cautelosos, inflação.

Mas isso não significa que o seu trabalho perdeu valor.
Na verdade, ele está ganhando.

Porque ele entrega exatamente o que as pessoas mais vão querer num mundo dominado por telas, algoritmos e isolamento:
Vivência real. Emoção sentida. Memória construída.

O que muda é que agora você também precisa usar a tecnologia a seu favor.

A IA pode ajudar a automatizar tarefas operacionais, agilizar processos, melhorar sua produtividade, gerar ideias, organizar cronogramas e até ajudar no planejamento de experiências.

Use isso.
Para sobrar mais tempo para o que importa de verdade: pensar no que só você pode entregar.


Conclusão: no futuro, quem entrega o real vai se destacar

A inteligência artificial vai continuar mudando tudo e evoluindo.
Vai reformular mercados. Vai eliminar funções que antes pareciam intocáveis e em pouco tempo algumas profissões não existirão mais.

Mas ela não vai eliminar o desejo humano por algo real, único e vivo.

E talvez minha filha, aos 7 anos, sem querer, tenha entendido isso melhor do que muitos adultos:
“Quero ser professora de surf.”

Ela quer estar no mundo, com outras pessoas, no momento presente.
Quer viver — e ajudar os outros a viverem também.


📍 Convite final

Se você trabalha com experiências presenciais, fique firme.
Este setor tem futuro.
E quem estiver pronto — com tecnologia para ganhar eficiência, e com sensibilidade para entregar o que só um ser humano pode — vai ser ainda mais necessário.

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O mundo vai ser cada vez mais digital.
Mas a alma dele continuará sendo humana.

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